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Rota da Cerâmica

 
 
 
 



Caiçarinha



Espaço de memórias, causos, contos, depoimentos e fatos antigos de Caraguá.
APMC - Arquivo Público do Município de Caraguatatuba.
De segunda a sexta-feira, das 9h às 17h
Denise Lemes, historiadora.


SETEMBRO
Texto a quatro mãos: Alex Fonseca, estagiário, e Denise Lemes, historiadora.
Colaboração: Ana Paula de Paulo.


História e estórias da Educação em
Caraguatatuba



A História da Educação no Município de Caraguatatuba tem início incerto devido ao povoamento da região. A primeira escola de que se tem notícia surgiu apenas em 1835, quando nosso território ainda pertencia à vizinha São Sebastião e o país estava sendo governado por tutores de um imperador jovem demais para subir ao trono.
Hoje a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) preveem que toda criança e adolescente têm direito à educação, assim como igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, mas no século XIX não era bem assim, havia poucas escolas e a maioria apenas para meninos, como as Escolas de Primeiras Letras Masculinas.
E no século XX, com a democratização do ensino prevista por lei? A História da Educação, não apenas da cidade, mas como uma realidade do país, é o relato do quão lento foi o processo de democratização por meio de uma série de políticas educacionais até os dias de hoje. Exemplo disso é que meninos e meninas que estudavam em escolas diferentes até a instauração das escolas mistas, continuaram social e psicologicamente separados.
Como se pode perceber a História da Educação na cidade tem muito mais lembranças a revelar. O Polo Cultural Profª Adaly Coelho Passos, antigo Grupo Escolar de Caraguatatuba e a E.E.P.G. Profª Adaly Coelho Passos, traz em suas salas e na memória dos alunos e alunas diferentes histórias, algumas até bastante divertidas.
A sala onde hoje é a sede do Arquivo Público do Município de Caraguatatuba “Arino Sant'ana de Barros” foi palco de um desses acontecimentos que marcaram a infância e adolescência de quem por ela passou.
Conta-se sobre certo professor de matemática, que em dias de prova poderia ser tachado de relapso e ser acusado de fazer vistas grossas às tentativas dos alunos de burlar a convenção educacional e colar de seus pares.
Os ingênuos discípulos da mais antiga das ciências acreditavam poder lograr o mestre quando o mesmo encontrava-se à porta da sala. Em sua inocência infantil imaginavam o número do calçado do professor, pois na ocasião era possível ver-lhe apenas as pontas dos pés na soleira da porta.
Diga-se de passagem, que o tal professor tratava-se de um homem robusto e um tanto brincalhão, que quando passou a fazer parte do corpo docente da instituição surpreendeu os alunos por se distinguir dos demais que lecionavam.
Ao passo que acreditavam os alunos poderem enganar o professor enquanto pudessem monitorar sua presença através dos sapatos, o querido professor se divertia à beça com os pés descalços, observando-os pela janela. Lição de uma época em que a presença física do educador, mesmo à distância, impunha respeito pelo papel que este representava em suas vidas. Calçados de um mestre à soleira da porta... Outros tempos...
No mês de setembro, no dia 08, comemora-se em todo o mundo o dia da Alfabetização. “A data foi instituída em 1970 pela Unesco e, a cada ano, governantes de todo o mundo discutem os caminhos para erradicar o analfabetismo” (Secretaria de Estado da Educação). A Alfabetização é um importante mecanismo de inclusão social e para o exercício de uma cidadania plena, é o primeiro passo no processo de ensino e aprendizagem e o início da relação de cada um com sua própria História da Educação.


AGOSTO

Registros de idéias e atos - instrumentos de
consciência do munícipe


Entre o acervo sob a guarda do Arquivo Público, os munícipes podem encontrar e pesquisar documentos da Administração Municipal como um resumo da Gestão Geraldo Nogueira da Silva, o Boneca; a Lei Orgânica de Caraguatatuba – 1990, a nossa Constituição Municipal; uma lei de planejamento do Turismo em Caraguá, o Plano Diretor de Turismo de Caraguatatuba – Inventário da Oferta e Diagnóstico Preliminar, Gestão José Sidney Trombini de 1993 a 1996 (muito pouco de 1993 e 1994); relatórios de Governo da Gestão do Dr. José Bourabeby, de 1977 a 1982, e os de 1990 e 1991, faltando o de 1992, ano de sua cassação. Ainda entre os relatórios do Governo Municipal podem ser pesquisados os relatório das duas primeiras gestões do atual prefeito Antonio Carlos da Silva, de 1997 a 2004.
Como forma de contribuir com a comunidade, estagiários, sob orientação, desenvolvem o trabalho de Hemeroteca (matérias de jornais e revistas, folhetos, textos, etc.) onde são disponibilizadas informações referentes à última gestão da Administração Municipal e o início desta, além de informações pertinentes ao Legislativo.
O Arquivo Público do Município tem importante papel na disseminação da História, Memória e da Cultura de Caraguatatuba, abrindo portas para a conscientização e formação de identidade.
Dia 11 de agosto é o Dia da Consciência Nacional, o dia de “perceber nossos direitos e de respeitar o direito dos demais”. Quais os caminhos para a consciência dos cidadãos caraguatatubenses? O Arquivo Público do Município de Caraguatatuba deve ser o início de pelo menos dois desses caminhos: o da Informação e o da Comprovação, do acesso aos registros conscientes das idéias e atos públicos municipais.



JULHO

Tainha - Cultura à mesa


Mais de 80 espécies de tainha em grandes cardumes viajam pelo mundo alimentando os seres humanos desde a Antiguidade. Tainha de águas temperadas e tropicais, de água salgada e doce, para ser servida com farofa de camarão, na brasa, assada no forno, ensopada, não importando o jeito e a receita, nunca rejeitada.
A tainha, peixe da Família Mugilidae, é comercializada normalmente fresca no Litoral Norte, mas pode ser encontrada seca (salgada e seca ao sol). A pesca, até a introdução do barco a motor no século XX, era feita por pescadores em canoas de voga, as de um tronco só de guapuvurú ou outra madeira de fácil entalhe, com remos e muitas redes de malhas maiores, seguindo em conjunto um ritual de cerco e arrasto dos peixes. Em algumas praias, a pesca era feita com a ajuda de vigias posicionados em pontos elevados que, através de sinais combinados, auxiliavam no cerco avisando da chegada do cardume em migração reprodutiva nos meses frios, da quantidade dos peixes e das canoas e redes necessárias para a empreitada.

“Di primero, os pexe vinha na bera da praia, era muita fartura, aqui a gente escolhia pexe. Hoje, como diz o ditado, tudo que cai na rede é pexe”.
Depoimento de Mariano de Araújo, pescador do Porto Novo.
Página 31 do livro Pescadores de Caraguatatuba – História e estórias.

Agora a pesca pelo caiçara é feita com pequenos pesqueiros, com grandes e fortes redes lançadas bem longe da praia. Em Caraguatatuba, com a implantação do Projeto Mexilhão pela Petrobras, os pescadores têm se afastado cada vez mais da costa e feito uso de instrumentos eletrônicos como GPS para perseguirem os cardumes.
Antigamente os pescadores voltavam de lugares próximos aos costões rochosos, praias e manguezais, da foz de rios ao mar como do Juqueriquerê, Santo Antônio, Guaxinduba e Tabatinga em canoas que de tão cheias do pescado corriam o risco de afundar. Hoje são necessários muitos pescadores em uma embarcação aparelhada para, talvez, regressarem depois de uma tarde e uma noite em alto mar com a mesma quantidade de peixes.
Pescadores de todos os lugares dizem que o pescado está sumindo, se distanciando da orla e que a pesca anda difícil. Os consumidores reclamam que o peixe e o camarão estão caros. Os ambientalistas denunciam as grandes pragas dos mares, nas areias muitos pellets (fragmentos muito pequenos de plástico) e no mar muito petróleo. Já temos fazendas de mexilhão (Maricultura) e de algumas espécies de peixes. A profissão: pescador estará com os dias contados? A tainha assada na folha da bananeira virará um prato exótico, raro?
Refletindo, lembro que chegamos ao inverno quando o Festival da Tainha no Porto Novo acontece. Em parceria entre a Secretaria Municipal de Turismo e a comunidade pesqueira do Porto Novo, já se constitui em uma tradição seguindo para a sua sétima edição nesse mês, nos dias 08, 09, 10 e 11, oferecendo também Cultura e Arte, em colaboração com a Fundacc. Mas voltando as perguntas, penso que se o mar está sendo tão ocupado pelos humanos, poluído, dia virá que a nossa tainha, a Mugil Platanus Günther, poderá preferir a vida em terra, criada por fazendeiros. Enquanto a encontrarmos nos cardápios dos nossos restaurantes, bares, quiosques e festas, sugiro que todos saboreiem a tainha com muito gosto e registrem na memória todo o sabor da culinária caiçara.



JUNHO

Santo Antônio de Caraguatatuba, história e fé.


Um jovem português de nome Fernando de Bulhões y Taviera de Azevedo passou a ser chamado de Frei Antônio ao entrar para a vida religiosa. Frei Antônio dedicou sua vida ao sacerdócio e aos pobres morrendo muito jovem em Pádua, no dia 13 de junho de 1231, aos 36 anos de idade. Após milagres a ele atribuídos, foi canonizado e tornou-se conhecido como o santo católico casamenteiro e que ajuda a encontrar objetos perdidos. Uma legião de católicos desde então passou a lhe render homenagens, batizando crianças de Antônio e Antônia, além de capelas, igrejas, ruas, povoados, vilas e lugares importantes geograficamente e historicamente em todos os continentes.
Assim surgiu o povoado e depois vila de Caraguatatuba. Aqui, os devotos do santo protetor dos pobres construíram a primeira capela no centro do povoado e entre 1664 e 1665, o Capitão-Mor Manuel de Faria Dória, autoridade máxima da Coroa Portuguesa na Capitania de Itanhaém, da qual nossa região fazia parte, vendo que Santo Antônio era o santo padroeiro da vila, denominou-a Vila de Santo Antônio de Caraguatatuba.
A Capela de Santo Antônio de Caraguatatuba, hoje Igreja Matriz de Santo Antônio, foi construída em meados do Século XVII e teve que ser reconstruída em 1857. Desta data em diante, passou por várias ampliações e reformas como as de 1948 implementadas pelo Frei Pacífico Wagner.
Moradores contam que procissões de devotos de Santo Antônio foram realizadas por décadas. Nessas procissões, sua imagem era carregada por fiéis da Igreja Matriz até o alto de um morro, onde estátuas foram edificadas na metade século XX e no início do século XXI, o Morro de Santo Antônio, mais uma homenagem ao santo português.
Subia todo mundo pra ver lá em cima! Era uma vista maravilhosa! Naquela época não tinha, a não ser a nova sede (do Esporte Clube XV de Novembro), nada mais próximo do centro. Mil novecentos e cinqüenta e poucos, não lembro mais... O padre Pedron, que era o padre da paróquia, convocou a população de Caraguatatuba para levar a imagem de Santo Antônio. Ia sempre gente lá para rezar, mas aí veio vândalos e quebraram. Fizeram uma campanha para fazer uma nova imagem... Parece que tá pronta no Centro Cultural. Deviam também, na ocasião, pedir ao padre para levar em procissão lá, uma oportunidade de o pessoal conhecer... É muito bonito lá! Ivan Ferreira Fonseca, ex-vereador e presidente do Esporte Clube XV de Novembro, falecido em 2005, em entrevista ao Arquivo Público do Município de Caraguatatuba em 1998.
Como a fé, contos e lendas sobre os milagres atribuídos ao santo dos humildes também atravessaram o Oceano Atlântico na bagagem dos devotos lusitanos, se multiplicaram e adquiriram as cores locais. Em Caraguá, o senhor Leopoldo Ferreira Louzada (falecido em 2005 aos 100 anos de idade) contou sobre os santos que andavam: Santo Antônio e São Benedito.
Quando eu era pequeno, que tinha uns dez anos, o meu pai me contou esse causo verdadeiro porque meu pai era um homem verdadeiro, com a graça de Deus.
Santo Antônio e São Benedito, de primeiro, andavam na rua de Caraguatatuba. Eles saia do Artar deles e passeava na rua. Mas sabe qual foi Santo Antônio? Santo foi achado ali perto da fábrica de tijolo, ali, prá lá da Vila Vicentina. Tinha um capão de pinheiro e meu tio, tio do meu pai, que também chamava de tio, foi roçá aquele capão de pinho prá prantá cana de açúcar e, roçando que fosse, achou lá um santo, achou Santo Antônio. A imagem de Santo Antônio, perto, tinha um pocinho de água e um pé de ciosa, aquela cheirosa.
Estamos em 2010 nos encaminhando para mais uma homenagem ao padroeiro de Caraguatatuba, a tradicional Festa de Santo Antônio. As procissões e comemorações no Morro de Santo Antônio cederam lugar à música, à dança, às barracas de comidas típicas e a alegria e fé de caiçaras e turistas na Praça Dr. Cândido Motta. Nos últimos anos, após a novena, os fiéis têm saído para a praça que os recebe iluminada e enfeitada, onde os adultos podem se sentar por algumas horas e conversar enquanto que as crianças correm e brincam em torno do coreto, que ainda cumpre seu papel de ponto de encontro e de união nessa terra abençoada por Santo Antônio.





MAIO 2010

Uma tarde no Arquivo Público do Município


No mês passado recebemos a visita do Sr. Euclydes Ferreira, vereador da Câmara Municipal nos anos 60 e 70 do século XX, presidente da Câmara nos anos 70, diretor do Ginásio Estadual e da E. E. Thomaz Ribeiro de Lima, para uma pesquisa em publicações pertencentes à pequena Biblioteca de Apoio e em livros ata da Câmara sob a guarda do Arquivo Público. O senhor Euclydes, aos 88 anos, apenas esquecido de algumas datas e nomes do seu passado como político, preocupado, estava atrás de respostas para as pequenas lacunas que o tempo criou. Que boa idéia ele então teve de pesquisar no Arquivo Público do Município!
Na verdade, por nossa culpa, o senhor Euclydes Ferreira, seguro entre nós graças à chuva da tarde de sexta-feira, 23 de abril, não teve tempo de ler todas as atas porque ficou generosamente respondendo a algumas perguntas e nos brindando com uma aula: um pouco da História Política dos anos 60 e 70 do século XX.
Ele contou algumas de suas lembranças na direção do Ginásio Estadual, onde teve que tomar atitudes e manter uma postura íntegra perante assuntos e pessoas, sobre coisas que naquele tempo não tinham nome ou não tinham o peso que tem hoje: Favoritismo e o “Jeitinho Brasileiro”. O senhor Euclydes contou algumas lembranças como político atuante nos anos que antecederam a Catástrofe (Tromba D'Água), e de oposição à administração do prefeito Geraldo Nogueira da Silva, o Boneca. Quando, contando com sua experiência de homem público, percebia desvantagens para o município, tomava atitudes nem sempre simpáticas a uma parcela da população e dos políticos locais. Falou informalmente sobre embates políticos e “casos” talvez ainda insuficientemente relatados nos livros sobre a História e Cultura de Caraguatatuba, casos registrados apenas em sua memória e na de outros poucos homens públicos, mas já aposentados, do município como Antonio Nepomuceno - o “Seu Totó”, Dácio Augusto de Barros Filho - o “Dacinho”, o senhor Iochio Iochimoto (representante da Colônia Japonesa do Getuba), o Dr. José Bourabeby e o Rodoaldo Graciano Fachini – o “Dadinho”, entre outros.
Por um momento, escutando-o, me entristeci. Até o dia anterior, tivemos a presença diária de um estudante de pós-graduação em Sociologia de São Carlos, Samuel Candido de Souza, pesquisando sobre a política em Caraguatatuba nos anos 70 a 90 do século passado. E naquele momento, ainda atendendo outros pesquisadores, lembrei com saudade e respeito por suas trajetórias de vida, do senhor Ivan Fonseca, ex-vereador e presidente do Clube XV de Novembro, falecido, e de sua esposa dona Jandira Baptista. Recordei-me de algumas entrevistas que fiz dentro do Projeto de História Oral em Vídeo, atualmente Projeto “Recontando Caraguá”, com o senhor Irineu Meireles, também ex-vereador e presidente do XV, falecido, e com o senhor Altamir Tibiriçá Pimenta, ex-prefeito, das coisas que contaram e não tiveram tempo de contar... Memória, essa fonte inesgotável de saber. Se tivéssemos como absorver continuamente essas lembranças e passá-las para as novas gerações, que grande bem não faríamos a nós mesmos, Fonte – Recipiente – Receptor?
O Arquivo Público de Caraguá é um recipiente de informações que precisa ser abastecido com documentos públicos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, por documentos privados e particulares de interesse do município e por documentos orais,
as suas lembranças, munícipe!
Não podemos mais perder fontes de informação e deixar pesquisadores, estudantes e professores, moradores antigos como o senhor Euclydes Ferreira em um vazio documental, textual e oral.


ABRIL 2010

Palmeira Imperial,
Patrimônio Cultural e Ambiental


O Brasil nos primórdios da conquista ficou conhecido como a terra onde florescem as palmeiras (Pindorama). Mas parte das palmeiras no país hoje, principalmente as plantadas na entrada de antigas fazendas, em ruas e avenidas, palácios, prédios públicos e museus, pasmem, não são plantas nativas!
A primeira Roystonea importada foi plantada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro pelo príncipe regente D. João VI, em 1809 (oleracea, Palma Mater, vinda das Ilhas Maurício), passando a ser conhecida como Palmeira Imperial. A primeira Palmeira Imperial foi destruída por um raio em 1972, aos 163 anos de idade, com 38,70 metros de altura.
Em Caraguatatuba foram plantadas duas palmeiras imperiais em 1941 pelo senhor Francisco D'Onófrio, a pedido do prefeito Bráulio Pereira Barreto, para embelezar o recém construído Grupo Escolar na Praça Dr. Cândido Motta, atualmente Polo Cultural “Prof.ª Adaly Coelho Passos” (sede do Museu, do Arquivo Público do Município, da Biblioteca de Artes e da Videoteca). As nossas palmeiras, com seus troncos esguios, atingiram cerca de 20 metros de altura. Com raízes superficiais, não precisaram de mão-de-obra para manutenção. Tinham, ao exemplo das outras palmeiras do mesmo tipo, baixa exigência alimentar e resistência há pobreza do solo, vivendo bem sob sol forte e com pouca água.
Infelizmente, devido às fortes ventanias em dois dias seguidos (o nosso conhecido Vento Noroeste), que segundo o CPTEC Inpe chegaram há 120km/h, no dia 15 de março, uma segunda-feira, uma de nossas palmeiras imperiais, a da esquina com a rua Paul Harris, caiu às 09h18min da manhã atingindo o prédio. Essa historiadora viu “com os olhos que a terra há de comer um dia” que a nossa querida palmeira imperial não tinha insetos visíveis corroendo seu miolo (broca ou cupim).
A Palmeira Imperial estava então com 69 anos, preservada juntamente com a outra palmeira imperial e os demais patrimônios situados na Praça Dr. Cândido Motta (a Torneira ou Obelisco, o Relógio do Sol e a Fonte Luminosa) através da Lei Municipal de 13 de dezembro de 2006, lei essa que proíbe o seu corte e recomenda cuidados.
Alguns consideram necessário o corte da outra palmeira imperial do Polo Cultural, mas como podem ver acima, a nossa Roystonea é um patrimônio municipal que deve e merece ser preservado. Alguns municípios, como a vizinha São Sebastião, encontraram seus próprios meios para preservação de suas árvores mais queridas. Devemos encontrar também formas de manter nosso patrimônio em segurança.


MARÇO 2010

Março,
mês do Arquivo Público e do Turismo


O Turismo foi responsável por vários projetos de urbanização e serviços públicos implantados em Caraguá que melhoraram as condições de vida da população. Foi o incentivo para a geração de muitos empregos, porém vilão e herói na preservação do meio ambiente.
O Arquivo Público do Município contribui para o bom desenvolvimento do Turismo na atualidade com a elaboração de textos; tornando acessíveis os documentos sob sua guarda (textual e fotográfico), e com a orientação de profissionais e estudantes. O Arquivo Público vem apoiando o crescimento atual de um turismo consciente, sensível às necessidades de preservação dos patrimônios naturais e culturais de Caraguatatuba, através de seu estudo.
Quando se pensa em preservação e sustentabilidade em turismo hoje não se pode deixar de ter em mente políticas de planejamento e gestão, mas somente se pode proteger, planejar e gerir o que se conhece. O conhecimento da evolução do Turismo e dos bens turísticos do município só é possível com os levantamentos e análises históricas de documentos e do estudo da memória referentes às ações administrativas públicas municipais e ações governamentais passadas e presentes (ou a falta dessas ações), influências de acontecimentos naturais e ambientais (como a catástrofe ocorrida em março de 1967, com os desmoronamentos de terra na Serra do Mar), dados estatísticos diversos, estudo do ramo da Hotelaria, dos serviços de apoio ao Turismo, etc.
Com a responsabilidade da conservação, organização e guarda dos documentos públicos do município e desenvolvendo projetos ligados à Memória, o Arquivo Público naturalmente se tornou fonte de informação e um ponto de cultura que pode contribuir sempre para as decisões político-administrativas, econômicas e culturais, bem como para a formação de futuros profissionais em Turismo na cidade.
Seria leviano dissociar o Turismo da Cultura, e ignorar o aprendizado do passado é seguir em um barco sem leme para o futuro.

Ontem é história
Ontem é poesia
Ontem é mistério
Ontem é hoje
Emily Dickinson, poetisa americana.

02/03 – Dia Nacional do Turismo.
18/03/67 – Catástrofe em Caraguatatuba
20/03/98 – Criação do Arquivo Público do Município.


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